Alambique




Como produtor ou consumidor, o Brasil é o pais da cachaça, da cerveja e dos vinhos. Mas se já existem até vinho norte-americano e whiskey japonês, por que não haver outras variações com tempero brasileiro? O mercado por aqui é amplo e a oferta é variada, mas não há ainda uma tradição nas destilarias em outros tipos de bebidas, especialmente as com acabamento refinado e padrão internacional. (Nada contra a Catuaba, gente, inclusive nos conhecemos muito bem).
Por recomendação de amigos, tive o primeiro contato com o gin Arapuru (acima), que usa ingredientes locais para fazer uma bebida originada na Holanda mas muito tradicional da Inglaterra e hoje com apelo global. No processo de fabricação, são macerados manualmente na forma de especiarias ou insumos, nunca na essência pronta.
Estão presentes a imbiriba, planta do nordeste brasileiro; o puxuri, nativo da região amazônica, o pacová, presente em toda a América tropical, o caju, fruta nativa e símbolo do nordeste brasileiro, e frutos da aroeira, árvore também nativa da América do Sul.

Pesquisando na internet, tive contato com outro gin brasileiro, Virga, bebida artesanal de um holandês com três brasileiros que começou na fazenda de um amigo que conta com uma preciosa coleção de mais de 1.300 espécies botânicas. Os ingredientes, como pacová, sementes de coentro, zimbro e cana-de-açúcar, são infusionados em uma cachaça premium bidestilada, antes de passar os aromas para o líquido que é redestilado em um alambique de cobre aquecido por fogo à lenha. Mais artesanal impossível!

Mudando o tipo de bebida para vodka: tem a Kalvelage, de Santa Catarina (vendida também na Bahia e no Espírito Santo). Já vem chamando atenção no circuito especializado e ganhou dois prêmios em um dos concursos de bebidas mais importantes do mundo. Produzida com cereais nacionais e água cristalina do Vale Europeu catarinense, ganhou medalha de ouro no San Francisco World Spirits Competition 2015. Em outros anos foi premiada nas edições do evento em Nova York e Hong Kong.

Outra bebida que ganhou destaque na premiação foi Cedilla, de açaí da Amazônia, que levou medalha de prata na categoria licor de frutas. Feito pela destilaria mineira Maison Leblon, tem sabor frutado, com chocolate e especiarias, macerados e misturados também em alambiques de cobre. Era vendido apenas nos Estados Unidos e desde 2013 está presente no mercado brasileiro.




Perguntei ainda na redação e a Adriane Hagedorn lembrou de uma destilaria da região em que nasceu, que fica Porto União (SC): a destilaria Doble W, que desde 1962 produz o Steinhäger e tem uma garrafa bem característica que muitas vezes é usada em decoração. A bebida aqui é usada para caipirinhas ou em submarinos (misturada com chope), mas tem denominação de origem controlada que segue a receita original alemã.
Outra indicação dela é também uma receita alemã, porém com tempero brasileiro, chamada Brasilberg (acima). Também faz parte da familia das bebidas amargas, mas essa é feita com “ervas da Amazônia”. “Sempre levo para a família do meu marido na Itália e todo mundo gosta!”.
Em regra geral, pra mim pelo menos, qualquer combinação de álcool com ingredientes exóticos está valendo. Catuaba inclusive!

Fotos: Divulgação.

Papo de Macho

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